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Onde estão os restos do Césio-137?

Influenciadora mostra como estão os locais atingidos pelo Césio-137 Mesmo passados 38 anos desde que aconteceu o pior acidente radiológico da história, muit...

Onde estão os restos do Césio-137?
Onde estão os restos do Césio-137? (Foto: Reprodução)

Influenciadora mostra como estão os locais atingidos pelo Césio-137 Mesmo passados 38 anos desde que aconteceu o pior acidente radiológico da história, muita gente ainda tem dúvidas sobre onde estão localizados os restos do Césio-137 após a contaminação em Goiânia. A preocupação quanto à localização não é à toa. Pesquisadores acreditam que, mesmo com a redução da radiação nos resíduos, os riscos só devem desaparecer totalmente após 200 anos. Além de quatro mortos e mais de mil pessoas afetadas, o episódio gerou 6 mil toneladas de lixo, acumuladas durante a descontaminação, que incluíram roupas, utensílios domésticos e materiais de construção. Esses resíduos foram levadas para depósitos em Abadia de Goiás, a pouco mais de 20 km da capital, onde foram enterrados e concretados. Para se ter uma ideia do potencial de contaminação do Césio-137, essas 6 mil toneladas contaminadas resultaram de uma quantidade de apenas 19 gramas do material, que estavam dentro do cabeçote de chumbo do aparelho. ✅ Clique e siga o canal do g1 GO no WhatsApp As duas elevações no terreno onde foram construídos os dois depósitos dos rejeitos do Césio 137 Reprodução/ Livro 'Césio 137 - 37 anos', da Secretaria de Estado de Saúde de Goiás O que aconteceu com as vítimas do Césio-137? Como estão os locais atingidos pelo Césio-137? Em Abadia, os rejeitos radioativos estão em um espaço em uma área de 32 alqueires (cerca de 1.548 metros quadrados), dentro do Parque Estadual Telma Otergal, às margens da BR-060. No local, foi construído o Centro Regional de Ciências Nucleares do Centro Oeste (CRCN-CO), que é vinculado à Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN). Esse espaço abriga dois depósitos: um com 40% do total de rejeitos, considerada a parcela menos radioativa, e outro nos quais foram abrigados 60% dos rejeitos, considerados efetivamente radioativos. Nesse segundo local estão os restos da fonte principal que originou o acidente de Goiânia. A função do CRCN-CO é monitorar o entulho do césio e promover pesquisas na área ambiental ligadas à radioatividade. Imagens da tragédia do Césio 137 Reprodução/ TV Anhanguera LEIA TAMBÉM Quem é o físico que identificou o acidente com Césio-137 em Goiânia? Césio-137: Goiânia tentou apagar a memória do desastre, diz pesquisadora Por que Césio-137 tem brilho azul? O acidente No dia 13 de setembro de 1987, Wagner Mota Pereira e Roberto Santos Alves retiraram um aparelho de radioterapia abandonado nas ruínas do Instituto Goiano de Radioterapia (IGR). A peça foi levada para a casa de Roberto, no Setor Central, onde foi removido o lacre da cápsula que continha césio-137 na forma de pó. Cinco dias depois, a peça foi vendida para um ferro-velho, no Setor Aeroporto, cujo dono, Devair Alves Ferreira, ficou encantado com a luminosidade e o brilho azul do material e distribuiu fragmentos para familiares e amigos. Após episódios de náuseas, tonturas, vômitos e diarreia entre os que manipularam o pó, a esposa de Devair, Maria Gabriela, o levou em uma sacola plástica para a Vigilância Sanitária. Com a confirmação oficial do acidente radiológico, feita pelo físico Walter Mendes Ferreira, uma enorme operação de triagem e monitoramento montada no Estádio Olímpico, atual Centro de Excelência do Esporte, avaliou mais de 112 mil pessoas, das quais 249 apresentaram algum grau de contaminação e 129 necessitaram de acompanhamento médico permanente. A tragédia marcou Goiânia para sempre, embora, segundo a pesquisadora Célia Helena Vasconcelos, da Universidade Federal de Goiás (UFG), a cidade tenha tentado apagar a sua memória. Durante o desenvolvimento da pesquisa, Célia percebeu que havia poucos registros visíveis da tragédia na cidade. A constatação veio quando ela tentou mapear referências físicas do acidente. “Rodei Goiânia inteira e não encontrei praticamente nada. Nem placas, nem memoriais, nem referências nos locais onde tudo aconteceu”, relatou. Segundo Célia Helena, a antiga Rua 57-A, no Setor Central, passou a se chamar Rua Paulo Henrique de Andrade, enquanto a Rua 26-A, onde ficava o ferro-velho de Devair, um dos principais pontos da contaminação, foi renomeada para Rua Francisca da Costa Cunha (Tita). Para a pesquisadora, essas mudanças contribuem para o silenciamento da história, já que o acidente está associado às denominações antigas, que deixam de ser reconhecidas com o tempo. 📱 Veja outras notícias da região no g1 Goiás.