Entenda disputa na Justiça entre dupla George Henrique e Rodrigo e produtora
George Henrique e Rodrigo são condenados a devolver caminhão a produtora em mais um capítulo de briga judicial, Goiás Divulgação/Tribunal de Justiça de G...
George Henrique e Rodrigo são condenados a devolver caminhão a produtora em mais um capítulo de briga judicial, Goiás Divulgação/Tribunal de Justiça de Goiás A decisão judicial que determinou que a dupla George Henrique e Rodrigo devolvesse um caminhão para a antiga produtora foi mais um capítulo de uma briga judicial que já dura quase dois anos e envolve uma disputa milionária relacionada ao agenciamento da carreira dos cantores e ao pagamento de direitos sobre o faturamento da dupla. Em entrevista ao g1, os advogados dos sertanejos e da Worldshow Promoções e Eventos explicaram o que aconteceu para que a relação que começou em 2011, muito antes de os irmãos goianos ganharem fama nacional, fosse parar nos tribunais. Segundo a defesa da produtora, a rescisão do contrato, feita em 2024, envolve uma indenização de R$ 12 milhões, além de multas que somam cerca de R$ 18 milhões. De acordo com o advogado Rodrigo Martino Barbosa Filho, que responde pela produtora, George Henrique e Rodrigo foram apresentados à Worldshow pelo cantor Bruno, da dupla com Marrone, que já fazia sucesso. Na época, os irmãos trabalhavam em shopping e cantavam eventualmente em bares e restaurantes, além de rodas de amigos. ✅ Clique e siga o canal do g1 GO no WhatsApp Só em 2017, os cantores assinaram dois contratos com a produtora, um de agenciamento e outros serviços, e outro de exclusividade artística e cessão de direitos. Tanto Rodrigo quanto o advogado da dupla, Douglas Moura, afirmam que ambos os contratos previam duração de 10 anos. Em março de 2024, no entanto, a dupla decidiu romper a parceria e, logo em seguida, alegou judicialmente que a empresa não havia prestado contas durante os 13 anos da relação comercial, o que a empresa nega. Veja os vídeos que estão em alta no g1 LEIA TAMBÉM George Henrique e Rodrigo são condenados a devolver caminhão à produtora em mais um capítulo de briga judicial George Henrique e Rodrigo retomam agenda de shows após briga judicial por R$ 18 milhões com produtora Gusttavo Lima aproveita segunda de folga em bar de Goiânia Segundo Rodrigo, o rompimento aconteceu depois que a dupla atingiu um patamar de faturamento de mais de R$ 250 mil por show. "Assim que a dupla atingiu esse patamar, que é o patamar que historicamente todos os artistas começam a dar dinheiro de fato, ela optou por rescindir. para simplesmente não dividir os lucros com o empresário e não pagar aquela conta que ficou para trás", afirmou. De acordo com o advogado, durante o processo judicial, em uma audiência por videoconferência, George Henrique e Rodrigo propuseram um acordo de R$ 1 milhão, recusado pela produtora por estar muito abaixo do que, segundo a empresa, é devido. "Pagamos para uma empresa fazer uma auditoria para falar se as contas estavam certas ou não. Ela concluiu que as contas estavam de fato devidamente apresentadas e que o saldo apurado de dívida da dupla era de R$ 12 milhões", afirmou. O advogado da dupla, porém, contesta esses valores. Douglas afirma que, além de a auditoria da empresa ter sido feita "por amostragem", baseada em 15,5% dos shows feitos pelos cantores, a auditoria completa encomendada por eles resultou em um saldo positivo por parte dos cantores. "Nós identificamos uma omissão de receitas de shows de mais de R$ 9 milhões, omissões de receitas de royalties pagos por agregadoras e gravadoras e não foram lançadas nas receitas", disse Douglas. George Henrique e Rodrigo se apresentam em rodeio de Monte Alto, SP Divulgação Parceria com Marília Mendonça Embora em lados opostos da disputa judicial, os dois advogados concordam que o ponto de virada da carreira da dupla foi a música “Vai Lá Em Casa Hoje”, lançada em outubro de 2021 com a cantora Marília Mendonça. No mês seguinte, a chamada "rainha da sofrência" morreu em um trágico acidente aéreo, o que acabou contribuindo também para ampliar o alcance da música então recém-lançada. "A música possui mais de 328 milhões de views no Youtube e 382 milhões de plays no Spotify. É sucesso absoluto por onde George Henrique e Rodrigo passam", afirmou o advogado Douglas Moura. Cerca de dois anos depois do estrondoso sucesso, os cantores pediram à produtora uma espécie de inventário, detalhando as contas, incluindo comprovantes de pagamentos, notas fiscais e recibos. Segundo o advogado da dupla, a prestação de contas relativa ao projeto artístico nunca aconteceu. Dupla George Henrique e Rodrigo e Marília Mendonça Reprodução/Redes sociais @georgeherodrigo "Os artistas nunca tiveram acesso à toda a documentação financeira, contábil, fiscal, administrativa, jurídica e gerencial relacionada ao negócio da dupla", afirmou. Em abril de 2024, o rompimento que ainda estava sendo discutido verbalmente e por mensagens escritas escalou para notificações extrajudiciais de ambas as partes. Uma delas incluiu o levantamento de bens da dupla, que, segundo a produtora, não existiam. A defesa dos cantores, argumentou, porém, que o caminhão usado para o transporte dos equipamentos musicais e de iluminação, usados nos shows, era deles. Os pagamentos referentes à compra do veículo de R$ 695 mil, segundo Douglas Moura, foram feitos pela Worldshow após ela usar o dinheiro em caixa oriundo do adiantamento de royalties feito pela empresa agregadora, que distribui os fonogramas da dupla. Segundo documento fornecido ao g1 pelo advogado, foram efetuados três pagamentos referentes à compra do caminhão: um sinal de R$ 50 mil. Depois, uma transferência de R$ 300 mil e outra de R$ 345 mil. "Quando os artistas exigiram que a Worldshow prestasse as contas do projeto e apresentasse os documentos, o caminhão sumiu", disse. Já o advogado Rodrigo Martino afirma que a empresa havia apenas disponibilizado dois veículos para que os cantores exercessem as atividades: um ônibus e um caminhão. O primeiro foi prontamente devolvido, mas o segundo, não. Em dezembro, o Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) determinou que os cantores devolvessem o veículo à produtora, de forma voluntária, em até 20 dias. Como isso não aconteceu, a empresa ingressou com uma ação de reintegração de posse. Na última sexta-feira (6), a Justiça determinou a devolução. Mudança na carreira Para a Worldshow, a rescisão repentina do contrato, pelos cantores, ocorreu não apenas por uma contestação de contas, mas por atuação do advogado Douglas Moura, que, segundo a empresa, é o atual empresário da dupla. "Na verdade, é um advogado que tem por sonho ser empresário e acaba confundindo aí um pouco dessa atuação jurídica com a atuação empresarial", avaliou Rodrigo. O advogado dos sertanejos nega. "Sou sócio da dupla, sim. Eu não uso o termo 'empresário', como a Worldshow faz para tentar me ofender", afirmou ao g1. Douglas afirma, ainda, que o fato de os cantores terem se tornado sócios de seu advogado não tem relevância para os processos, uma vez que "em nada contribui para a solução do imbróglio". E acrescenta que, logo no primeiro ano de gestão por conta própria, eles conseguiram gravar o maior DVD de sua carreira. "Os artistas, devidamente amparados pela Lei, buscaram a Justiça para assegurar o cumprimento das obrigações empresariais que já constavam em contrato. Em juízo está sendo demonstrado que a rescisão ocorreu de forma motivada, tendo sido comprovadas as diversas infrações contratuais cometidas pela Worldshow", disse. As ações envolvendo o rompimento da relação comercial entre os cantores e a produtora tramitam na Justiça de São Paulo. Atualmente, a rescisão foi determinada pela Justiça, de forma provisória. Ou seja, o mérito ainda não foi julgado. Além disso, em maio do ano passado, a Justiça fixou estabeleceu que a dupla depositasse, em uma conta judicial, 50% do faturamento mensal, até a decisão final. Segundo Rodrigo, a empresa pediu essa medida para evitar o desvio do faturamento. No entanto, até hoje, apenas um depósito foi feito. "Como houve também, no processo, alguns indícios de que eles estão desviando o faturamento, o juiz deu essa ordem de depósito". A defesa da dupla alega, porém, que o depósito "inviabilizaria total e completamente a atividade dos artistas". Segundo o advogado Douglas, a decisão judicial mais recente sobre a titularidade do trabalho dos cantores determinou que a Worldshow 'deverá continuar pagando diretamente aos autores os valores estipulados nos contratos, prestando-lhes contas diretamente, o que, segundo ele, não tem sido feito. De acordo com o advogado da Worldshow, ainda será feita uma auditoria das contas por uma empresa que será escolhida pelo Judiciário. Não há prazo para isso acontecer, mas a expectativa da defesa é que ela seja realizada nos próximos meses. 📱 Veja outras notícias da região no g1 Goiás.